13 de novembro de 2009

"Jaime de Magalhães Lima, discípulo de Tolstoi"


Sobre o Tolstoismo, e em particular a visão que dele teve Jaime de Magalhães Lima, aconselho a leitura do texto "Jaime de Magalhães Lima, discípulo de Tolstoi", de Jacinto do Prado Coelho, publicado na Separata - Memórias da Academia das Ciências Lisboa, Classe Letras, 20. Páginas 305-319. O texto diz respeito à sessão solene comemorativa do sesquincentenário do nascimento de Lev Tolstoi, em 12 de Outubro de 1978, o ano do meu nascimento.

Gonçalves Correia e a Polícia Política

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Auto de busca à residência de Gonçalves Correia (1932)


Ficha de Gonçalves Correia na Secção de Vigilância Política e Social da Polícia Internacional (02/12/1932), antecessora da PVDE/PIDE, criada em 1933.

12 de novembro de 2009

12/11/1989 - 12/11/2009: 20 anos de saudade


Dolores Ibárruri Gomez, "La Pasionaria"

11 de novembro de 2009

Leitura aconselhada



"Em 1910, a seguir à publicação de Anna Karenina e Guerra e Paz, Lev Tolstói é um dos autores mais famosos do mundo. Mas a fama tem um preço. Desesperado por encontrar paz no fim da vida, Tolstói fugiu de casa, abandonou a família, a sua mulher e os treze filhos, acabando por morrer sozinho numa cama numa pequena estação de comboios russa. Passado no tumultuoso último ano de vida do escritor, esta obra centra-se na luta pela alma de Tolstói. Baseado nos diários do escritor e dos que lhe eram próximos, incluindo a esposa, a filha e o médico, Jay Parini criou um romance histórico que, contado a diferentes vozes, combina factos e ficção. O leitor ficará a conhecer a relação tempestuosa do conde com a mulher, bem como a angústia mental do homem que professou as virtudes da pobreza e da castidade enquanto vivia uma vida de grandes privilégios. A tragédia de Tolstói é a de alguém cujo percurso foi marcado por contradições, podendo-se facilmente perceber por que motivo, nos últimos dias, ele se sentiu compelido a fugir para sempre da casa que conheceu desde a infância. Um retrato envolvente que certamente inspirará outras investigações às fontes originais, que permitiram a elaboração deste livro, revelando-se um trabalho incontornável para todos os que procurem saber mais sobre o mestre da literatura russa."

Tolstoi: outros adeptos portugueses



"Jaime de Magalhães Lima (Aveiro, 15 de Outubro de 1859 — Eixo (Aveiro), 26 de Fevereiro de 1936) foi um pensador, poeta, ensaísta e crítico literário português. Foi defensor e divulgador do vegetarianismo, do qual era adepto fervoroso". Mais aqui e aqui.

"Estreia d'um Crente" - Introdução e carta "A um Anarquista"

As imagens que se seguem correspondem às primeiras páginas da obra "Estreia d'um Crente", publicada em 1917 em edição de autor por Gonçalves Correia, com a chancela da Minerva, editora eborense.

O livro tem dedicatória, aliás censurada à pouco refinada moda da época. Dizia assim: "Aos eternamente perseguidos pela tirania dos imperantes como prova do amor e do doce afecto que o auctor sente por todos os rebeldes conscientes, dedica esta pagina modestissima".

A carta que se segue, a um anarquista, encontra-se também ela violenta e explicitamente mutilada pela censura, apesar de ser possível perceber-se muito daquilo que se esconde por baixo do selo do censor.

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10 de novembro de 2009

Mais um retrato

O retrato deste postal encontra-se incluído na obra "Estreia d'um crente", o primeiro livro publicado de António Gonçalves Correia, em 1917, e que proximamente disponibilizarei em formato PDF.



Trata-se pois de um retrato do anarquista alentejano contemporâneo da época da fundação da Comuna da Luz, nas Fornalhas Velhas, freguesia de Vale de Santiago, Concelho de Odemira. Gonçalves Correia teria então pouco mais de 30 anos.

Comunas na Serra de Mértola

"(...) Em São Domingos, a questão da Serra de Mértola esteve no centro das preocupações e das lutas das populações de Corte Pinto e de Santana de Cambas, interessadas na partilha da Serra, mas também em impedir a apropriação pelos agrários. Neste processo estiveram envolvidos directamente os mineiros de São Domingos e os trabalhadores rurais do Pomarão e da Achada do Gamo, embora ignoremos em que medida isso terá pesado (se é que pesou) para minorar a fome na região. Para alguns comunistas libertários a partilha da Serra constituiu uma breve oportunidade para realizar, por breves instantes, uma experiência comunitária, na esteira da Comuna da Luz, do utópico Gonçalves Correia"
Excerto da obra "Indústria e conflito no meio rural - Os mineiros alentejanos (1858-1938)", de Paulo Eduardo Guimarães. Lisboa, Edições Colibri.

Mais sobre a Mina de São Domingos
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9 de novembro de 2009

Leitura aconselhada


7 de novembro de 2009

"Uma certa maneira de cantar"


Leitura aconselhada.

Tolstoianismo

"Gonçalves Correia dá-me vontade de rir pela sua ingenuidade e tolstoianismo - mas acaba por se me impor. Este homem, que pretende realizar um sonho, dá a esse sonho tudo o que ganha, e, apesar da gedelha, das considerações ingénuas, faz-me pensar"

Raul Brandão, em "Os operários"
A Gonçalves Correia é, não raras vezes, atribuída a etiqueta de tolstoianista, ou discípulo da doutrina humanista de Leão Tolstoi, o escritor russo falecido em 1910, pouco antes da fundação da Comuna da Luz, em 1916.

Certamente que não foi, nem seria hoje, qualificação incomoda para o velho anarquista, que se leu Tolstoi - e certamente leu - encontrou em várias passagens dos seus romances, e em particular nalgumas personagens, comportamentos e visões da vida bem próximas daquelas que defendia: a vida simples, o desprezo pela vida frenética das cidades por oposição à proximidade com a natureza, o pacifismo, o desprezo pela guerra e pelo confronto belicista, uma certa proximidade com um cristianismo primitivo e quase franciscano-espiritual, que encontra expressão no seu poema "O meu Deus".

Sobre o modo de vida da Comuna se pode ler no artigo "Impressões da Comuna", datado de 30/1/1916 e incluindo no período "A Questão Social". A propriedade colectiva, o socialismo prático e a concretização, num naco de terra, de um ideal fraterno fazem Gonçalves Correia transbordar de alegria, num texto exclamativo, que merece aliás réplica por parte de um seu camarada anarquista, Miguel Correia, o qual mais pragmático adverte que "nas suas impressões não transparece a vida económica da Comuna".

Estou certo de que Gonçalves Correia não desprezava, nem negligenciava, nenhuma dimensão material da Comuna. Em todo o caso seria sempre o maravilhoso desconhecido, imaterial, que mais o motivava a insistir no projecto, a não deixar morrer o "Éden" criado a 3 quilómetros apenas das trevas e da "estrada do crime".

Tal como Tolstoi, Gonçalves Correia viria a morrer profundamente afectado por uma terrível depressão. As suas causas? Apenas posso especular. Mas não me custa acreditar que a ditadura fascista e o fracasso dos seus projectos, esmagados pela ignorância e repressão dos homens, lhe tivessem imposto a tristeza crónica que carregava em si.

* * *

Leão Tolstoi, 9/11/1828 - 20/11/1910. Escritor russo. Autor de grandes clássicos da literatura universal, como "Anna Karenina", "Guerra e Paz" e "Cossacos"


Leão Tolstoi, em 1908.

* * *

Ainda no que se refere ao tolstoianismo (embora solitário, neste caso), recomendo vivamente a leitura do livro "O lado selvagem" de Jon Krakauer, traduzido para português europeu e editado em Portugal pela Presença.



Trata-se de uma breve biografia de Christopher McCandless (na fotografia em cima), o jovem norte-americano que, em larga medida inspirado no tolstoianismo (bem como na obra ficcional de Jack London), deixou para trás o "conforto" do dia-a-dia das grandes cidades para abraçar uma vida errante e lançar-se ao grande desafio do Norte para os aventureiros solitários, o Alasca.

Alentejo, legenda e esperança

António Dias Lourenço ainda vive e tem quase 100 anos. Nasceu em Vila Franca de Xira no dia 25 de Março de 1915, e tem uma vida dedicada ao povo português. Resistente anti-fascista, membro destacado da estrutura clandestina do PCP, que passou a integrar em 1931, esteve preso 17 anos, mas protagonizou uma das mais célebres fugas do Forte de Peniche, aliás retratada no filme "A fuga".

Dias Lourenço esteve, durante as décadas de 40 e 50, directamente ligado às lutas do chamado "proletariado rural" alentejano, e dessa experiência se serviu há uma década, mais coisa menos coisa, para escrever "Alentejo, legenda e esperança - I", um livro magnífico, resumido por Urbano Tavares Rodrigues da seguinte forma:
Livro com muito interesse, que, num português claro e elegante, historia, de um ponto de vista marxista, as lutas de classe no Alentejo desde o repovoamento que se seguiu à Reconquista até à Lei das Sesmarias, às transformações operadas pela Revolução Liberal de 1820 e pela República de 1910, insistindo especialmente na formação das associações sindicais e nos combates dos trabalhadores pela melhoria das suas condições de vida, durante o Estado Novo.

Dias Lourenço, que foi um herói da Resistência Antifascista, militante clandestino do PCP, preso durante 17 anos, com prodigiosas evasões e uma vida aventurosa, é, alem disso, um operário culto, metalomecânico, que frequentou a Universidade Popular, leu muito e, como já disse, escreve bem. Neste livro as suas páginas sobre a Revolução Agrária em Portugal, depois do 25 de Abril, têm valor histórico e contêm informações preciosas. Parece-me obra digna de figurar nas Bibliotecas da Gulbenkian. Embora com uma perspectiva partidária, tem grande importância documental, é inteligente e estimula o estudo e a discussão de um período fascinante da nossa História recente, a transformação do País.

Trata-se de leitura vivamente aconselhada a quem procura mais informação sobre as seculares lutas travadas por quem trabalhou a terra no Alentejo, desde a fundação ao 25 de Abril de 1974.

Porque os outros se calam mas tu não

"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sobre os acontecimentos de 1918 (1)

"Cá na Associação discutíamos o desemprego, a forma de arranjarmos trabalho e exigíamos que eles fabricassem as terras, mas eles nem as fabricavam nem as entregavam.

Falavam lá na Associação o Campos e o Chico Paulino, que tinha sido propagandista da República, mas depois quando viu que só defendiam a burguesia pôs-se contra, mas ele tinha conversa que era capaz de revoltar um povo. Ele e o Gonçalves Correia."
Extracto do depoimento de Francisco Mestre, alentejano do Vale de Santiago, revolucionário e poeta (Dezembro de 1981), incluído no livro "Os trabalhadores rurais do Alentejo e o Sidonismo - Ocupação de terras no Vale de Santiago".

7 de Novembro (1917-2009)



Há 92 anos iniciava-se na longínqua Rússia a primeira experiência socialista duradoura da história da Humanidade.

6 de novembro de 2009

"O meu Deus"

"Se deus está na flor que encanta e seduz,
No se filigranado, eterna maravilha,
Na pétala graciosa que a vida nos conduz,
Na estrela misteriosa que nos encanta e brilha,
Eu, admirador do grande Artista,
Confesso não me arrepender
Se me disser deísta!

Porem, se é o tal Deus da madre igreja,
O cruel Deus papão das sacristias,
O Deus que sobre nós, fero, despeja
Trabuzanas e raios todos os dias;
Se é esse o Deus que manda as trovoadas,
Que ajuda o padre lorpa e o sacrista
E deixa casas pobres arrasadas,
Então, caros irmãos, não sou deísta!"

Gonçalves Correia

Gonçalves Correia na obra "Os Operários"

António Gonçalves Correia é por diversas vezes mencionado por Raul Brandão na sua obra "Os Operários". Brandão dedica-lhe mesmo um capítulo ("Uma comuna no Alentejo"). Para aceder a todas as referências a Gonçalves Correia em "Os Operários", clique aqui.

Artigos na rede

"Comuna da Luz (em Odemira) e a Comuna Clarão (em Sintra) foram as 1ªs comunidades portuguesas anarquistas-naturistas fundadas por A. Gonçalves Correia"
Fonte: Blogue Pimenta Negra.

"O Monte da Comuna"

Faixa n.º5 do CD "No Paraíso Real - tradição, revolta e utopia no Sul do País". Edição da Câmara Municipal de Castro Verde. Voz de Manuel António (n. 1934). Fornalhas Velhas, Concelho de Odemira, Distrito de Beja. 7 de Maio de 1999.

5 de novembro de 2009

"No Paraíso Real - Tradição, revolta e utopia no Sul de Portugal"



Bibliografia aconselhada (2)


Bibliografia aconselhada (1)


A Rua Gonçalves Correia

A Federação Maximalista Portuguesa

"A Federação Maximalista Portuguesa (FMP) foi fundada há 90 anos por iniciativa de um grupo de destacados dirigentes sindicais profundamente ligados à luta dos trabalhadores e que, embora perfilhassem todos eles os ideais anarquistas,
foram influenciados pelo impacto internacional da Revolução de Outubro na Rússia.

A FMP propunha-se como objectivo «difundir os princípios tendentes ao estabelecimento do socialismo comunista», assumindo como tarefa prática imediata defender a revolução russa e propagar os seus princípios.

Dois momentos relevantes assinalam e balizam a constituição da FMP: a apresentação da Declaração de Princípios/Estatuto orgânico (Maio de 1919) e o começo da publicação do seu órgão «A Bandeira Vermelha» (5/X/1919), que desempenhou um papel sem paralelo na defesa da Revolução de Outubro, divulgando as suas realizações e princípios, desmascarando as agressões imperialistas e as campanhas detractoras desenvolvidas pela comunicação social dominante, e ainda como espaço de discussão sobre a natureza da revolução social, da táctica e da organização revolucionárias à luz da interpretação que faziam dessa conquista maior do proletariado mundial que era a Revolução de Outubro."

Fonte: O Militante.

4 de novembro de 2009

Retratos de Gonçalves Correia








Com a família mais próxima: em cima, Etelvina (filha), Ana de Jesus (esposa) e Liberdade Celeste (filha e minha bisavó); em baixo, Luz Natércia (filha), Gonçalves Correia com o filho Victor Hugo e Emílio (filho).