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19 de julho de 2012

Ética da vida

António Gonçalves Correia é referido numa das questões colocadas por António Cândido Franco a Paulo Borges, em entrevista recentemente publicada no jornal libertário "A Batalha" (n.º250, VI Série, Ano XXXVIII):

Qual o papel do património libertário e sobretudo da sua ética de vida – entre nós pode servir de referência uma figura como A. Gonçalves Correia (1886-1967), discípulo do neo-franciscanismo de Tolstói – no novo paradigma civilizacional a que te referes?

O património libertário, quando se liberta do antropocentrismo e se torna verdadeiramente libertador, é fundamental. Vejo figuras como Gonçalves Correia, autor da conferência e opúsculo A Felicidade de Todos os Seres na Sociedade Futura, como exemplos desse paradigma intemporal e futuro. Ser vegetariano, desviar a bicicleta para não esmagar as formigas, esperar que elas saíssem da bacia para lavar a cara, são exemplos dessa ética do respeito integral por todas as formas de vida de que carecemos urgentemente num planeta em que, devido às acções humanas, mais de 300 espécies animais e vegetais se extinguem diariamente. Com elas é uma parte de nós que a cada dia também morre. Não faz sentido proclamar-se libertário e defensor da igualdade sem estender esse igualitarismo a todos os seres. Sem isso, ficamos reféns da discriminação especista, afim ao racismo, ao sexismo e ao esclavagismo. Na cultura portuguesa, vejo outros ilustres exemplos do novo paradigma em Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes, José Marinho e Agostinho da Silva, entre outros.

18 de julho de 2012

Comuna da Luz: o despertar da permacultura em Portugal

É um novo caminho que procurarei trilhar no quadro do estudo e da exploração do pensamento, vida e obra de António Gonçalves Correia: o estabelecimento de uma ligação concreta entre as experiências das comunas da Luz e Clarão com a ideia de permacultura.

Para os mais interessados fica desde já um interessante vídeo (brasileiro) sobre o tema:

Utopia no Quintal - Permacultura e Cidade from Fernando Moura on Vimeo.

14 de setembro de 2011

Simple Living Manifesto: 72 Ideas to Simplify Your Life

"A simple life has a different meaning and a different value for every person. For me, it means eliminating all but the essential, eschewing chaos for peace, and spending your time doing what’s important to you.

It means getting rid of many of the things you do so you can spend time with people you love and do the things you love. It means getting rid of the clutter so you are left with only that which gives you value.

However, getting to simplicity isn’t always a simple process. It’s a journey, not a destination, and it can often be a journey of two steps forward, and one backward.

If you’re interested in simplifying your life, this is a great starter’s guide (if you’re not interested, move on)."


(o resto aqui)

20 de março de 2011

Documentário



Surplus: Terrorized Into Being Consumers. Documentário sueco de 2003. Realizador: Erik Gandini. 51 minutos.

"Futuro primitivo" (1994), John Zerzan



Li o livro "Futuro Primitivo" do filósofo libertário-primitivista John Zerzan, um dos mais conhecidos representantes de uma das linhas mais obscuras - e no entanto interessantes - do movimento libertário: o primitivismo. Fi-lo por pura curiosidade, nada mais. Não me parece de todo que o futuro passe pelo primitivismo, embora partilhe com Zerzan e outros pensadores desta "escola" algumas preocupações não específicas do primitivismo, mas que nele encontram destacado lugar.

Neste pequeno livro, Zerzan - um neoluddista - argumenta contra a tecnologia* e a civilização tal como a conhecemos, apresentando as suas razões - geralmente baseado em estudos da área da antropologia e história - para defender o regresso (tanto quanto possível) a um estado mais primitivo da vida das comunidades humanas.

De acordo com Zerzan, o início do sofrimento humano remonta à divisão do trabalho, domesticação/sedentarização e descoberta da agricultura. O autor contrapõe um ideia de sociedade mais justa, mais feliz e mais genuinamente pacífica no período anterior à especialização, hierarquização e desenvolvimento do pensamento e da expressão simbólica que dizemos mais avançada, expressa na comunicação escrita e oral, e nos mitos e religiões.

Tudo isto parece (e na verdade é) bastante estranho, mas Zerzan fornece vários dados interessantes, que emergem do estudo científico das primitivas comunidades de caçadores-recolectores, e que suportam a sua tese. Fica por explicar - suponho que também não fosse essa a intenção do livro - como seria possível iniciar uma regressão minimamente eficaz ao estilo de vida dos antiquíssimos caçadores-recolectores.




(post publicado também aqui)


Nota:
* Gonçalves Correia, pelo contrário, via na evolução tecnológica - e mediante a socialização dos meios de produção - uma hipótese concreta de libertação do homem face ao trabalho. Era, nesse sentido, um anarquista que se afastava da linha ludista, ou neoludista, existente entre muitos dos adeptos da vida simples.

29 de dezembro de 2010

"Os nossos argumentos", 04/06/1916




Este documento, de grande interesse, foi-nos simpaticamente deixado na página de facebook associada a este blogue.

8 de outubro de 2010

Crudismo?

Gonçalves Correia não apenas era vegetariano, como defendia o crudismo, também chamado crudivorismo, ou seja, o consumo de fruta, hortaliças, sementes, grãos, entre outros alimentos de origem vegetal, sem estarem previamente cozinhados, nem aquecidos a temperaturas que os desvirtuem, no que diz respeito às suas características vitamínicas.

Mais sobre o crudivorismo aqui.

13 de novembro de 2009

"Jaime de Magalhães Lima, discípulo de Tolstoi"


Sobre o Tolstoismo, e em particular a visão que dele teve Jaime de Magalhães Lima, aconselho a leitura do texto "Jaime de Magalhães Lima, discípulo de Tolstoi", de Jacinto do Prado Coelho, publicado na Separata - Memórias da Academia das Ciências Lisboa, Classe Letras, 20. Páginas 305-319. O texto diz respeito à sessão solene comemorativa do sesquincentenário do nascimento de Lev Tolstoi, em 12 de Outubro de 1978, o ano do meu nascimento.

11 de novembro de 2009

Tolstoi: outros adeptos portugueses



"Jaime de Magalhães Lima (Aveiro, 15 de Outubro de 1859 — Eixo (Aveiro), 26 de Fevereiro de 1936) foi um pensador, poeta, ensaísta e crítico literário português. Foi defensor e divulgador do vegetarianismo, do qual era adepto fervoroso". Mais aqui e aqui.

9 de novembro de 2009

Leitura aconselhada


7 de novembro de 2009

Tolstoianismo

"Gonçalves Correia dá-me vontade de rir pela sua ingenuidade e tolstoianismo - mas acaba por se me impor. Este homem, que pretende realizar um sonho, dá a esse sonho tudo o que ganha, e, apesar da gedelha, das considerações ingénuas, faz-me pensar"

Raul Brandão, em "Os operários"
A Gonçalves Correia é, não raras vezes, atribuída a etiqueta de tolstoianista, ou discípulo da doutrina humanista de Leão Tolstoi, o escritor russo falecido em 1910, pouco antes da fundação da Comuna da Luz, em 1916.

Certamente que não foi, nem seria hoje, qualificação incomoda para o velho anarquista, que se leu Tolstoi - e certamente leu - encontrou em várias passagens dos seus romances, e em particular nalgumas personagens, comportamentos e visões da vida bem próximas daquelas que defendia: a vida simples, o desprezo pela vida frenética das cidades por oposição à proximidade com a natureza, o pacifismo, o desprezo pela guerra e pelo confronto belicista, uma certa proximidade com um cristianismo primitivo e quase franciscano-espiritual, que encontra expressão no seu poema "O meu Deus".

Sobre o modo de vida da Comuna se pode ler no artigo "Impressões da Comuna", datado de 30/1/1916 e incluindo no período "A Questão Social". A propriedade colectiva, o socialismo prático e a concretização, num naco de terra, de um ideal fraterno fazem Gonçalves Correia transbordar de alegria, num texto exclamativo, que merece aliás réplica por parte de um seu camarada anarquista, Miguel Correia, o qual mais pragmático adverte que "nas suas impressões não transparece a vida económica da Comuna".

Estou certo de que Gonçalves Correia não desprezava, nem negligenciava, nenhuma dimensão material da Comuna. Em todo o caso seria sempre o maravilhoso desconhecido, imaterial, que mais o motivava a insistir no projecto, a não deixar morrer o "Éden" criado a 3 quilómetros apenas das trevas e da "estrada do crime".

Tal como Tolstoi, Gonçalves Correia viria a morrer profundamente afectado por uma terrível depressão. As suas causas? Apenas posso especular. Mas não me custa acreditar que a ditadura fascista e o fracasso dos seus projectos, esmagados pela ignorância e repressão dos homens, lhe tivessem imposto a tristeza crónica que carregava em si.

* * *

Leão Tolstoi, 9/11/1828 - 20/11/1910. Escritor russo. Autor de grandes clássicos da literatura universal, como "Anna Karenina", "Guerra e Paz" e "Cossacos"


Leão Tolstoi, em 1908.

* * *

Ainda no que se refere ao tolstoianismo (embora solitário, neste caso), recomendo vivamente a leitura do livro "O lado selvagem" de Jon Krakauer, traduzido para português europeu e editado em Portugal pela Presença.



Trata-se de uma breve biografia de Christopher McCandless (na fotografia em cima), o jovem norte-americano que, em larga medida inspirado no tolstoianismo (bem como na obra ficcional de Jack London), deixou para trás o "conforto" do dia-a-dia das grandes cidades para abraçar uma vida errante e lançar-se ao grande desafio do Norte para os aventureiros solitários, o Alasca.